Archive for the ‘Dia 04’ Category

Quarto dia. 25 de Outubro de 2008, Kamakura.

05/04/2009

Hoje é dia de evolução espiritual, meditação e busca do nirvana. É o dia de peregrinação pelo complexo de templos de Kamakura!!!
Acordamos cedo, pra variar, e partimos (passando por Yokohama) em direção de Kamakura, na província de Kanagawa. Cidade da costa Oeste de montanhas florestadas e dezenas de templos, kamakura foi a capital do Japão de 1185 até 1333. Como legado tem 19 santuários xintoístas e 65 templos budistas. Aliás 2 dos mais antigos mosteiros Zen do país.

Destino: Kamakura!

É até zueira eu comentar (chutar cachorro morto) o que o César Maia na época que governava disse: 'O metrô do Rio é mais seguro do mundo!" Vá pra puta que te pariu, né seu safado! O metrô do Rio são duas linhas retas e paralelas! (não considero metrô essa escrotidão descanbida de dizer 'metrô de superfície', queria conhecer o gênio que inventou tal descrição, pois eu nunca vi invertar nada mais filho da puta que essa definição, ou o cara é o publicitário mais safado do mundo ou é a maior besta sem ferradura...) Depois de dar uma boa olhada nesse mapa do complexo sistema de linhas férreas de uma pequena parte do Japão...

Aprendendo a comprar bilhete.

Aprendendo a comprar bilhete. Êêêêêê sooono!

Os 7 deuses da felicidade no barco da fortuna.

Os 7 deuses da felicidade no barco da fortuna.

Os 7 Deuses da felicidade:
O ano novo começa para os japoneses com a primeira visita a um templo (xintoista ou budista) próximo. Ocasião esta em que se ora para afastar os sete males, atrair as sete felicidades e orar pela familia e pelo mundo. Assim começou a tradição de ‘Shichifukujin Meguri’ ou visita aos sete Deuses da Felicidade. Existem registros históricos de que eram realizados em Kyoto, na primeira matade do século 15, desfiles alegóricos tendo como tema os sete Deuses da felicidade. Consta também que, ainda em Kyoto, os ladrões que roubassem um estabelecimento comercial disfarçados de Sete Deuses da Felicidade, recebiam prêmios do seu proprietário por trazerem boa sorte. Em Edo os Sete Deuses foram desenhados no século 16. dizem que dá sorte dormir colocando sob o travesseiro o desenho dos sete Deuses no barco do tesouro.

Benten:
É a única mulher do grupo. Simboliza a amabilidade e protege as artes e a beleza feminina. Ela é muito associada às águas do lago, do rio e do mar. É representa por uma mulher jovem com instrumento musical de cordas ou cavalgando sobre dragão marinho. Nos contos épicos japoneses muitos samurais lendários, deparam com Benten em momentos difíceis e dela recebem orientações. Possuir uma pintura ou estatueta desse deus garante saúde, beleza e desenvolve talentos artísticos.

Bishamon:
Por ser um dos quatro guardiões do budismo, usa trajes de guerra e segura uma lança em sua mão, às vezes com uma roda do fogo (halo). A esse deus japonês muitas funções são atribuídas, mas na maior parte apresenta-se como um deus da guerra, distribuidor da riqueza. O tesouro nesse caso são os ensinamentos de Buda. Ele é o promotor dos missionários das palavras de Buda e nesse sentido tem atribuição de guerreiro. Protege contra os demônios e contra as doenças. É o guardião do ponto cardeal Norte. Não deve ser confundido com o deus da guerra (Hachiman). Ter a figura desse deus em casa, afugenta ladrões e preserva os bens das família.

Daikoku:
É o mais alegre dos deuses. Sendo representado como um homem gordo que traz prosperidade, riqueza, fartura e da produção; sendo patrono dos fazendeiros. É muito popular entre os agricultores japoneses, pois protege as colheitas. Aparece em pé, sobre sacos de arroz, sorrindo, e traz na mão um martelo de madeira (a cada batida faz surgir moedas de ouro). Simbolicamente a martelada representa trabalho. A imagem de Daikoku tanto em forma de estatueta ou pintura, garante progresso profissional e enriquecimento ligado ao trabalho.

Ebisu:
É o deus da sinceridade. Representa honestidade e trabalho. Ele é o protetor dos pescadores, navegantes e comerciantes. Geralmente é representado na figura do pescador, pois sempre está com a cumbuca e uma vara de pescar. Dizem que Ebisu não dá o peixe, mas ensina pescar. Ter sua figura em casa ou no estabelecimento comercial garante sucesso nos negócios.

Fukurokuju:
É o deus da sabedoria, da longevidade e da boa sorte. Seu nome é composto pelos ideogramas fuku (felicidade, sorte), roku (riqueza) e ju (vida longa). Simboliza a popularidade. Diz a lenda que esse deus foi um sábio eremita chinês. Seu nome significa felicidade (fuku), riqueza (roku) e vida longa (ju). É mostrado com uma testa muito elevada. Na maior parte é acompanhado com um veado, um símbolo do longevidade, às vezes por uma tartaruga e por um guindaste. Quem ganhar uma estatueta ou pintura de Fukurokuju tende a ficar popular e garante longevidade. Passar a mão na careca dele, melhora sua inteligência.

Hotei:
É o senhor da magnanimidade, da generosidade humana. Vive rindo, sempre de bom humor, e por isso mesmo, traz saúde e felicidade, pois está sempre satisfeito com o que tem. Dizem que Hotei tem recurso interior para todos que queiram atingir a serenidade completa e sabedoria búdica. Geralmente é representado com uma enorme barriga e roupa caindo pelos ombros. Seu abdômen avantajado não simboliza a gula, pelo contrário, é símbolo da satisfação.
Hotei, conhecido como o “Buda gordo”, é na verdade a representação de um monge chinês frequentemente encontrado em templos, restaurantes e amuletos. No folclore da China, ele acabou sendo associado a Maitreya. Para os japoneses, o “hara” (ventre) representa o coração e personalidade, portanto seu vasto “hara”, representa grandiosidade de espírito.
No Ocidente ele é muitas vezes erroneamente visto como uma representação do Buda Siddhartha Gautama. Segundo a crença popular, apreciar uma pintura ou ter uma estatueta de Hotei espanta as preocupações.

Jurojin:
O deus do longevidade e da sabedoria. Ele é representado com uma longa barba branca, trazendo na mão um cetro (saku) sagrado ou um bastão onde esta pendurado um pergaminho (makimono) contendo as escritas da sabedoria mundial. É também considerado um deus da ecologia, porque geralmente é retratado junto de uma garça tipo grou (tsuru), uma tartaruga ou um veado. Esses animais são na verdade símbolos de longa vida. As vezes Jurojin é representado com um pote de saquê e só permite que a morte se aproxime quando a pessoa esta preparada para evoluir espiritualmente. Apreciar uma pintura de Jurojin diariamente traz sabedoria e longa vida.

Indo pra Kamakura.

Indo pra Kamakura.

Olha o 'chip despertador' em ação...

Olha o 'chip despertador' em ação...

Foto da velhota...

Foto da velhota...

Uma velhota pior que outra!

Uma velhota pior que outra!

A japonesada adora café...

A japonesada adora café...

Acho que é pra manter acordado trabalhando...

Acho que é pra manter acordado trabalhando...

Trabalham muito. Work-a-holic.

Trabalham muito. Work-a-holic!

Buda na estação.

Buda na estação.

Chegamos em Kamakura!

Chegamos em Kamakura! A vibe era sempre boa!

O caminho é longo...

O caminho é longo...

Restaurante no início do caminho dos templos.

Restaurante no início do caminho dos templos.

Pata direita levantada: dinheiro. Pata esquerda: felicidade.

Pata direita levantada: dinheiro. Pata esquerda: felicidade.

Maneki Neko:
Literalmente conhecido como gato da sorte, fortuna ou dinheiro. É uma escultura japonesa comum e famosa. Muitas vezes feitos de cerâmica ou porcelana, crê se para trazer boa sorte para o proprietário.
A escultura representa um gato na posição vertical com uma pata, que normalmente é exibido muitas vezes, na entrada de lojas, restaurantes, Salas de Pachinko, e outras empresas.
Na concepção das esculturas, uma pata direita levantada atrai dinheiro supostamente, enquanto uma pata esquerda levantada felicidade.
Ele usa uma coleira vermelha com um sino. Isso é uma lembrança dos costumes do período Edo (1603 – 1867), quando o gato era um animal de estimação caro. As damas da corte agradavam seus gatos, colocando-lhes coleiras vermelhas, feitas de hi-chiri-men (tipo de tecido de luxo da época) e pequenos sinos para vigiá-los.

Lojinha. Filial dos Studios Ghibli. Totoro & Cia.

Lojinha. Filial dos Studios Ghibli. Totoro & Cia.

Sorvete artesanal de mel.

Sorvete artesanal de mel.

Gato de rua. Parceiros dos texugos.

Gato de rua. Parceiros dos texugos.

Texugo na porta do bar

Texugo na porta do bar. Texugo = Tanuki.

Baunilha e Green tea ice cream.

Baunilha e Green tea ice cream.

Sorvete de batata doce.

Sorvete de batata doce.

A loja do Paull.

A loja do Paull.

Ultraman = Urutaraman

Ultraman = Urutaraman

Biroscas japonesas.

Biroscas japonesas.

Casinha de alguém...

Casinha de alguém...

Letreiro discreto

Letreiro discreto

Budismo, suas origens:
O budismo formou-se no nordeste da India, entre o século VI a.C. e o século IV a.C. Este período corresponde a uma fase de alterações sociais, políticas e econômicas nesta região do mundo. A antiga religiosidade bramânica (derivado de Brahma, que não é a cerveja Brahma, mas sim o deus da criação Brahma, que na crença hindu, Brahma é o membro sênior da tríade dos grandes deuses, que inclui também Vishnu e Shiva. Na crença hindu mais tarde, ele se tornou simbolizado como a suprema divindade eterna cuja essência é o cosmos.), centrada no sacríficio de animais, era questionada por vários grupos religiosos, que geralmente orbitavam em torno de um mestre.
Um destes mestres religiosos foi Siddhartha Gautama, o Buda, cuja vida a maioria dos estudiosos ocidentais e indianos situa entre 563 a.C. e 483 a.C., embora os estudiosos japoneses consideram mais provável a data 448 a.C. 368 a.C.. Siddhartha nasceu na povoação de Kapilavastu, que se julga ser a aldeia indiana de Piprahwa, situada perto da fronteira indo-nepalesa. Pertencia à casta guerreira (ksatriya).
Várias lendas afirmam que Siddhartha viveu no luxo, tendo o seu pai se esforçado por evitar que o filho entrasse em contacto com os aspectos desagradáveis da vida. Por volta dos 29 anos, o jovem Siddhartha decidiu abandonar tudo, renunciando a todos os bens materiais, e adaptando a vida de um renunciante. Praticou o ioga (numa forma que não é a mesma que é hoje seguida nos países ocidentais, que fique claro), e seguiu práticas ascéticas extremas, mas acabou por abandoná-las, vendo que não conseguia obter nada delas. Segundo a tradição, ao fim de uma meditação sentado debaixo de uma figueira, descobriu a solução para a libertação do ciclo das existências e das mortes que o atormentava.
Pouco depois decidiu retomar a sua vida errante, tendo chegado a um bosque perto de Benares, onde pronunciou um discurso religioso diante de cinco jovens, que convencidos pelos seus ensinamentos, se tornaram os seus primeiros discípulos e com que que formou a primeira comunidade monástica (sangha). O Buda dedicou então o resto da sua vida (talvez trinta ou cinquenta anos) a pregar a sua doutrina através de um método oral, não tendo deixado quaisquer escritos.
O ilustrador japonês Osamu Tezuka, escreveu sobre a histório de Siddartha (em quadrinhos) numa mini-série de 14 volumes chamada “Buda”, que recebeu o Prêmio Will Eisner em 2003, um dos mais importantes prêmios dos quadrinhos. Eu li e recomendo!
Ao contrário do pensamento comum, o budismo não é uma religião, pois não existe um deus criador, não existem dogmas e nem proselitismo, porém também não seria correto denominá-la apenas como uma filosofia, pois aborda muito mais do que uma mera absorção intelectual. O Budismo não tem uma definição, tendo aquela que qualquer praticante lhe queira atribuir, contudo poderemos denominá-la de caminho de crescimento espiritual, através dos ensinamentos de Buda.
Os ensinamentos básicos do budismo são: evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente. O objetivo é o fim do ciclo de sofrimento, samsara, despertando no praticante o entendimento da realidade última – o Nirvana.
O ponto de partida do budismo é a percepção de que o desejo causa inevitavelmente a dor. Deve-se portanto eliminar o desejo para se eliminar a dor. Com a eliminação da dor, se atinge a paz interior, que é sinônimo de felicidade.
A moral budista é baseada nos princípios de preservação da vida e moderação. O treinamento mental foca na disciplina moral (sila), concentração meditativa (samadhi), e sabedoria (prajña). Apesar do budismo não negar a existência de seres sobrenaturais (de fato, há muitas referências nas escrituras Budistas), ele não confere nenhum poder especial de criação, salvação ou julgamento a esses seres, não compartilhando da noção de Deus comum às religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamísmo).
A base do budismo é a compreensão das Quatro Nobres Verdades, ligadas à constatação da existência de um sentimento de insatisfação inerente à própria existência, que pode no entanto ser transcendido através da prática do Nobre Caminho Óctuplo.
Outro conceito importante, que de certa forma sintetiza a cosmovisão budista, é o das três marcas da existência: a insatisfação (Dukkha), a impermanência (Anicca) e a ausência de um “eu” independente (Anatta).
(Samyutta Nikaya LVI.11) da seguinte forma:

As Quatro Nobres Verdades:
As Quatro Nobres Verdades são o cerne doutrinário e prático do Budismo, ou seja, quatro noções básicas que contextualizam os demais ensinamentos e práticas. Desde os primeiros discursos do Buda a seus discípulos, ele apresentou tais noções dessa maneira sistemática como um entendimento fundamental a partir do qual outros ensinamentos mais complexos e específicos podem ser compreendidos.
Todas as escolas do budismo reconhecem e se baseiam nas Quatro Nobres Verdades. Além das diversas explicações e métodos originados a partir delas, os praticantes são diferentes uns dos outros, e desta maneira, existem também diversos níveis de compreensão das Quatro Nobres Verdades. Buda expôs as Quatro Nobres Verdades no Dhammacakkapavattana Sutta.

A Nobre Verdade do Sofrimento (Dukkha ariya sacca)
A primeira verdade nobre é a sofrimento , insatisfação, mais precisamente, dukkha, que é uma das três marcas da existência. Ela quer dizer que a mente, tomada pela ignorância, não é capaz de dissociar a insatisfação da experiência sensorial. “(…) esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(…)”

A Nobre Verdade da Causa do Sofrimento (Dukkha samudaya ariya sacca)
O desejo (pelo prazer sensual, desejo pelo devir, desejo por não-devir) é a origem de dukkha, a segunda nobre verdade. Aqui é apresentado o motivo pelo qual a mente ignorante nunca está plenamente satisfeita: através dos sentidos, entra em contato com sons, aromas, sabores, sensações táteis e idéias, e adquire apego às sensações agradáveis e aversão às desagradáveis. Entretanto, como o mundo está em constante mutação, esse desejo nunca se satisfaz. “(…) esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.(…)”

A Nobre Verdade da Extinção da Causa do Sofrimento (Dukkha nirodho ariya sacca) É através da compreensão do processo que causa a insatisfação que o desejo pode ser abandonado e assim alcançar a cessação de dukkha, ou nirvana, a terceira nobre verdade. Se a insatisfação surge porque a mente está constantemente projetando sua felicidade e sua tristeza na experiência sensorial, se esse condicionamento for eliminado é possível alcançar uma satisfação incondicionada. “(…) esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a libertação dele, a independência dele.(…)”

Nobre Verdade da Senda que Leva à Extinção do Sofrimento (Dukkha nirodha gamini patipada ariya sacca). A quarta verdade nobre é o caminho que conduz à cessação da insatisfação, ou seja, um conjunto de práticas que permitem reconhecer a verdadeira natureza da mente e sua relação com os sentidos, de forma que a experiência sensorial deixe de ser um aspecto condicionante da felicidade e tristeza, portanto eliminando a insatisfação em sua origem. Esse conjunto de práticas é conhecido como o Nobre Caminho Óctuplo. “(…) esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta.(…)”

Quatro Qualidades Incomensuráveis:
Dentro do treinamento da mente no contexto do budismo tibetano, são ensinadas as quatro qualidades incomensuráveis, que, resumidamente, são:
Amor: desejar que todos os seres tenham a liberação de dukkha;
Compaixão: desejar que todos os seres tenham a liberação das causas que geram dukkha;
Alegria: perceber as potencialidades de todos e se alegrar com isso;
Equanimidade: desejar a liberação para todos, sem distinção de amigos e inimigos, pessoas que se gosta, pessoas que não se gosta.

As Ações Demeritórias são também de três tipos:
Pelo corpo: destruir seres vivos roubar e explorar, adultério, ingerir tóxicos e bebidas alcoólicas.
Pelo verbo: mentir e caluniar, levar e trazer conversas, palavras pesadas, duras e ofensivas, tagarelice e conversas frívolas.
Pela mente: cobiça-egoísmo, vaidade, má vontade, ódio e raiva, errôneos pontos de vista
As raízes das Ações Demeritórias são:
Cobiça, ódio, ilusão ou ignorância, egoísmo.

Chegada através da Rota da Seda:
A chegada do budismo no Japão é em última instância, uma consequência dos primeiros contatos entre a China e a Ásia central, que ocorreram com o estabelecimento da Rota da seda no século II a.C., após as viagen de Zhang Qian entre os anos de 138 e 126 a.C., que culminou com a introdução oficial do budismo na China em 67 a.C. Historiadores geralmente concordam que já pela metade do século I, a religião havia penetrado em áreas ao norte do Rio Huai. O budismo foi introduzido Coréia via missionários chineses, e esta por sua vez introduziu o budismo no Japão por volta do século V d.C.

O Budismo no Japão:
A história do budismo no Japão pode ser dívidida em três períodos, que são o período Nara (até o ano de 784 d.C.), o período Heian (794–1192) e o período pós-Heian (de 1192 em diante). Cada período foi palco para a introdução de novas doutrinas e revoltas nas escolas existentes. Ver Sōhei (monges guerreiros).
Período Nara:
A introdução do budismo no Japão é seguramente datada como sendo em 552 no Nihon Shoki, quando Seong de Baekje enviou monges da Coréia até Nara para introduzirem as chamadas Oito escolas doutrinárias. A inserção inicial da nova religião foi vagarosa, começando a se disseminar apenas anos mais tarde, quando a Imperatriz Suiko abertamente encorajou a aceitação do budismo entre todo o povo japonês. Em 607, de maneira a obter cópias de Sutras, um enviado imperial foi despachado para a China da dinastia Sui. Pelos idos de 627 d.C., haviam 46 templos budistas, 816 sacerdotes e 569 monges budistas no Japão.
Haviam tradicionalmente seis escolas de budismo no Japão de Nara: Ritsu (Vinaya), Jojitsu (Satyasiddhi), Kusha (Abhidharma) Sanron (Madhyamika), Hosso (Yogachara) e Kegon (Huayan).Entretanto elas não eram instituições exclusivas, assim templos estavam aptos a terem eruditos versados em diversas escolas. Tem sido sugerido que elas devem ser melhor entendendidas como “grupos de estudo”.

Período Heian:
O período Nara tardio foi palco da introdução do budismo esotérico (mikkyo) no Japão, por Kūkai e Saichō, que fundaram respectivamente as escolas Shingon e Tendai. No final do período Heian surgiria a primeira escola genuinamente japonesa do budismo, a Nichiren.

O Dalai Lama:
O Dalai Lama ao longo do tempo tornou-se o líder político do Tibete, onde política e religião fundiram-se em um Estado teocrático. Dessa maneira, é comum encontrar-se em literaturas menos especializadas a informação de que o Dalai Lama é um líder temporal e político. Na verdade, ele é um monge e lama, reconhecido por todas as escolas do Budismo tibetano, mas mais comumente associado à escola Gelug.
O atual e 14.º Dalai Lama é Tenzin Gyatso, nascido em 1935 e morava no Palácio de Potala durante o inverno e no Norbulingka durante o verão, em Lassa, capital do Tibete. Em 1959, quando a China comunista invade o Tibete, o Dalai Lama foi exilado para a Índia, onde mora até hoje, no local de Dharamsala.
Dalai significa “Oceano” em mongol e “Lama” é a palavra tibetana para mestre, guru, e várias vezes referido por “Oceano de Sabedoria”, um título dado pelo regime mongoliano a Altan Khan (o terceiro Dalai Lama) e agora aplicado a cada encarnação na sua linhagem. Os dalai lamas são mostrados como sendo a manifestação de Avalokiteshvara, o Bodhisattva da Compaixão, cujo o nome é Chenrezig em tibetano. O nome tibetano do Dalai Lama é Gyawa Rinpoche que significa “grande protetor”, ou Yeshe Norbu, a “grande jóia”. Após a morte do Dalai Lama, uma pesquisa é instituída pelos seus monges para descobrir o seu renascimento, ou tulku.
Assim como o papa católico, ao dalai lama atribui-se o título de Sua Santidade. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989.
Lista dos Lamas:
1.Gedun Truppa, 1391 – 1474
2.Gedun Gyatso, 1475 – 1542
3.Sonam Gyatso, 1543 – 1588
4.Yonten Gyatso, 1589 – 1616
5.Lobsang Gyatso, 1617 – 1682
6.Tsangyang Gyatso, 1683 – 1706
7.Kelsang Gyatso, 1708 – 1757
8.Jamphel Gyatso, 1758 – 1804
9.Lungtok Gyatso, 1806 – 1815
10.Tsultrim Gyatso, 1816 – 1837
11.Khendrup Gyatso, 1838 – 1856
12.Trinley Gyatso, 1856 – 1875
13.Thubten Gyatso, 1876 – 1933
14.Tenzin Gyatso, 1935 aos dias atuais

Arredores do Tsurugaoka Hachiman-gū.

Arredores do Tsurugaoka Hachiman-gū.

Perto do Torii de Hachiman-gū.

Perto do Torii de Hachiman-gū.

Passando do portal do Tsuruoka Hachiman-Gu

Passando do portal (Torii) do Tsuruoka Hachiman-Gu

Ponte para o santuário Tsuruoka Hachiman-Gu

Ponte para o santuário Tsuruoka Hachiman-Gu

A ponte vermelha arqueada de uso do shogun.

A ponte vermelha arqueada de uso do shogun.

Lagoas Genpei.

Lagoas Genpei.

Cantinho pro relax pós-caminhada.

Cantinho pro relax pós-caminhada.

A outra ponte

A outra ponte

Beleza, fim do momento enciclopédia, voltamos pro que interessa:
Começamos visitando o santuário chamado Tsuruoka-Hachiman-Gu.
Os santuários Hachiman-Gu são dedicados ao Deus da Guerra. Esse também é o guardião do santuário do Clã Minamoto (ou Genji) construído em 1063 (em Zaimokuza, onde o pequeno Moto Hachiman está atualmente, e dedicada ao Imperador Ojin, sua mãe a Imperatriz  Jingu e sua esposa Hime-Gami)  nas proximidades do mar. Foi trazido para o lugar atual em 1191. Pra chegar aqui foi necessário passar entre dois lagos de Lótus: O Genji, com três ilhas (San em japonês significa tanto três como vida) e o Heike, que tem o nome do Clã rival (Shi significa tanto quatro como morte). O caminho leva ao palco Mai-Den para dança e música. O santuário principal foi reconstruído em 1828 em estilo Edo.

Falta pouco. Mais uns 2 km...

Falta pouco. Mais uns 2 km...

foo dog street

Guardião

dsc04796-copy

Keep walking...

dscf0060-copy

Pra ter idéia do tamanho do lance: olha lá embaixo onde está Torii (portal vermelho) na entrada antes da ponte...

Punks not dead!

Punks not dead! (acho que o Léo Moura andou largando criança lá pelo Japão...)

Esterelização espiritual.

Esterelização espiritual.

Antes de entrar no templo...

Antes de entrar no templo...

Arqueiros protetores do Xogum.

Arqueiros protetores do Xogum.

Guardas do templo.

Guardas do templo.

Tipo de táxi do oriente.

Tipo de táxi do oriente.

Riquixá:
O vocábulo “riquixá” vem da palavra japonesa jinrikisha. Jin = humano, riki= tração e sha = veículo, que literalmente significa “veículo de tração humana”. O riquixá é um meio de transporte de tração humana em que uma pessoa puxa uma carroça de duas rodas onde acomodam-se uma ou duas pessoas. O vocábulo riquixá tem origem na Ásia onde eram amplamente utilizados como meios de transporte pela elite. Atualmente, os riquixás foram proibidos em muitos países na Ásia em decorrência dos numerosos acidentes. Os riquixás comuns têm sido substituídos, principalmente na Ásia, pelos ciclo-riquixás. Eles também são comuns em cidades ocidentais como Nova Iorque. Em Londres eles são conhecidos como pedicabs, embora o termo “riquixá” também seja utilizado.

Templo

Muito vermelho e cores vivas, estilo bem parecido ao tradicional chinês.

dscf0065-copy

Camera covarde...

wood temple

Tudo em madeira.

dscf0047-copy

Pedidos. Muitos pedidos. Centenas deles...

dsc04819-copy

Mulequinho azul...

dsc04817-copy

Mulequinho verde...

dsc04816-copy

Mulequinho maduro!

dsc04832-copy

Lateral do templo.

dscf0072-copy

Detalhes dos cantos do telhado.

dscf0068-copy

Folheado a ouro.

Tanto o santuário e a cidade foram construídas com o Feng Shui em mente. A atual localização foi cuidadosamente escolhida como o mais propício após pesquisas, porque tinha uma montanha ao norte (o Hokuzan), um rio a leste (o Namerikawa), um grande caminho para o oeste (o Koto Kaido) e uma abertura ao sul (em Sagami Bay).
Cada direção estava protegido por um deus: Genbu guardava a norte, a leste Seiryu, Byakko e Suzaku a oeste do sul. Os salgueiros junto as Lagoas Genpei e as catalpas ao lado do Museu de Arte Moderna representam respectivamente Seiryu e Byakko. Apesar de todas as mudanças que o santuário passou ao longo dos anos, o que diz respeito ao desenho original de Yoritomo basicamente está intacto.
Como uma entrada, após o primeiro torii (portão Shinto), existem três pequenas pontes sobre os dois planos laterais e uma arqueada ao centro feitas em madeira e pintados de vermelho. O shogun deixava seu séquito lá sozinho e continuava a pé até o santuário.
A ponte arqueada foi chamada de Akabashi, e reservada apenas para ele. Pessoas comuns tinham que usar a pontes retas das laterais. As pontes estão ao longo de um canal que une duas lagoas popularmente chamadas Genpei-ike, ou “lagoas Genpei”. O termo vem do nome das duas famílias, os Minamoto e os Taira, que lutaram entre si no dia de Yoritomo.
A estela e logo depois à esquerda do primeiro torii explica a origem do nome.

Lagoas Genpei:
Azuma Kagami diz que ‘Em abril de 1182 Minamoto No Yoritomo, disse ao monge Senkō e Oba Kageyoshi ter dois lagos escavados no santuário.’ Segundo a outra versão da história, foi Masako, esposa de Yoritomo, que para rezar para a prosperidade da família Minamoto, tinha escavado esses lagos e tinha plantado no leste flores brancas de lótus e a oeste flores de lótus vermelhas, que são as cores dos clãs Minamoto e Taira. Daí deriva seu nome. Supõe-se que os lótus vermelhos signifiquem o sangue derramado dos Taira.

dsc04758-copy

Casamento na entrada do santuário Tsurugaoka.

Logo na entrada tivemos a oportunidade de presenciar um casamento de cerimônia Shintoísta, além do festival chamado Shiti Go San. É uma cerimônia para abençoar crianças de 7 (Shiti), 5 (Go) e 3 (San) anos. A mulecada toda vestida a caráter com um kimono mais bacana que o outro como se fossem mini samurais e mini gueixas.

shiti go san.

shiti go san.

Gueisha-mirim.

Gueisha-mirim.

Mini-xogun...

Mini-xogun...

Projeto de gueisha.

Projeto de gueisha.

Belíssimos Kimonos.

Belíssimos Kimonos.

Kimono de Outono.

Kimono de Outono.

Um kimono mais bacana que o outro!

Um kimono mais bacana que o outro!

Samuraizinho invocado.

Samuraizinho invocado.

Bomecas que andam...

Bonecas que andam...

indo para o 'Shiti Go San Day'

indo para o 'Shiti Go San Day'

Família indo ao 'Shiti Go San' de Tsuruoka Hachiman-Gu

Família indo ao 'Shiti Go San' de Tsuruoka Hachiman-Gu

Havia bonsais expostos de vários tipos, inclusive frutíferos, em tendas laterais antes da escadaria da entrada principal. O templo é incrível. Voltarei nesse lugar algum dia com tanta certeza como 2 mais 2 são 4!

Bonsais pra todos os gostos.

Bonsais pra todos os gostos.

dsc04785-copy

bonsai limoeiro.

dsc04776-copy

bonsai pitangueira.

dsc04775-copy

maple leaf.

dsc04769-copy

bonsai alvi-negro.

dsc04766-copy

mini-árvore.

dsc04770-copy

bonsai arrepiado, inverno chegando...

dsc04772-copy

bonsai que nasce torto, cresce torto...

dsc04771-copy

o nome desse tá escrito aí ó.

Continuando a caminhada fomos agraciados pelo destino por encontrar um único templo em todo o Japão (algo em torno de 6.000 ilhas só pra ter idéia da sorte) em culto à Enmadayou (o Rei Enma), templo chamado de Ennou-Ji. Também belíssimo, muito simples e antigo, mas com uma energia muito densa e poderosa em seu interior.

Templo do Enmadayo.

Templo do Enmadayo.

Escadaria pro templo.

Escadaria pro templo.

Jardins pré-templo.

Jardins pré-templo.

Cemitério ao lado do templo.

Cemitério ao lado do templo.

Entrada. Daí pra em diante: 'no pictures'

Entrada. Daí em diante: 'no pictures'

Fizemos uma parada para o rango, comemos Soba. Num restaurante simpático, bem simples, com uma senhora já lá dos seus quase 70 anos, muito ativa que era a própria dona do negócio, fazendo o trabalho de garçonete e levando a sério o ditado que diz que o gado só engorda aos olhos do dono. A comida estava bem gostosa, deixo registrado para não ser injusto com a vóvó e saciar a curiosidade alheia.

Andando muito...

Andando muito...

Pausa pra foto.

Pausa pra foto.

Passando do túnel, o templo é logo em seguida.

Passando do túnel, o templo é logo em seguida.

Restaurante de soba na subida pro templo do grande buda.

Restaurante de soba na subida pro templo do grande buda.

...

...nhãm, nhãm!

caindo dentro do soba.

caindo dentro do soba.

Paliteiro de cavalo. Palitos feitos como mini-tacos de sinuca.

Paliteiro de cavalo. Palitos feitos como mini-tacos de sinuca.

Dragão porta-palito.

Dragão porta-palito.

Saindo do restaurante, todo mundo satisfeito com o rango.

Saindo do restaurante, todo mundo satisfeito com o rango.

Ruas de Kanagawa

Ruas de Kanagawa.

E em seguida visitaríamos o templo Zen Kencho-Ji, que é o mais importante dos “5 grandes” templos Zen de Kamakura e o mais antigo mosteiro Zen do Japão, fundado em 1253.
No início o templo tinha 7 construções principais e 49 templos menores. Muitos destruídos por incêndios, permaneceram apenas 10.
Ao lado do portal sanmon, o sino forjado em 1255 leva uma inscrição Zen de seu fundador. No salão do Buda, no lugar do costumeiro Buda, vimos Jizo Bosatsu, salvador das almas dos mortos.

imgp3013-copy

Passando pelo estacionamento em direção do portal de entrada.

dscf0140-copy

Lateral à direita do portal na entrada.

imgp3014-copy

O portal Sanmon, construído em 1754.

Hojo temple Kyoto

Pedaçinho do teto do Hojo, também transferido da Hanju Zanmai-in, em Kyoto, usado para cerimônias religiosas.

dscf0199-copy

Caminho do Hattō (salão Darma).

dscf0150-copy

O Bonshō, Datado de 1255, tesouro nacional.

dscf0161-copy

O Bonsho (Temple Bell).

dscf0176-copy

Lanterna em frente ao Hojo (Main Hall).

dscf0179-copy

Templo onde monges são treinados para meditação. Fechado ao público.

dscf0177-copy

Incensário.

dscf0180-copy

Pé do incensário no detalhe.

achei um bom ditado...

achei um bom ditado...

dscf0167-copy

Entrada para o mosteiro onde monges são treinados.

dscf0198-copy

Jardins...

imgp3027-copy

Hi! Um esquilo...

imgp3029-copy1

...Num deu pra fotografar...

dscf0159-copy

Entre jóinhas, sorrisos e hang-looses.

dscf0163-copy

Foo dog trepado no telhado.

Atrás do salão estão o Hatto, onde são celebradas as cerimônias públicas, o Karamon (portão chinês) que leva ao Hojo, usado para o culto.
O Jardim Zen posterior (o jardim Zen é a representação de se meditar para esvaziar a mente), ao redor do lago atrás do templo, teria a foma de um Kanji (caractere) com significado de coração ou mente.
Do lado (direito) do templo, 3 caminhos levam a templos menores e aos degraus do santuário Hanso-Bo.

dscf0222-copy

Mil braços...

dscf0215-copy

pintura no teto famosíssima

dscf0195-copy

Altar.

dscf0193-copy

Salão. No teto uma mandala de madeira, pintada a trocentos anos.

dscf0186-copy

Piedoso. Jizo Bosatsu, salvador das almas dos mortos.

dscf0197-copy

Altar com Jizos.

dscf0214-copy

O poodle de Buda.

dscf0212-copy

Isso é o que dá fazer meditação durante 23 anos. Ininterruptos.

dscf0228-copy

O grande jardim Zen Hojo.

Vimos a estátua que foi presenteada ao Japão pelo governo do Paquistão, um buda na capa, que tem o significado que ele havia conseguido esvaziar a mente. Quando voltou, havia passado tantos anos nessa meditação, algo em torno de 23 anos sem se alimentar, que estava praticamente morto.
Kencho-ji é um templo Zen Rinzai que ocupa o primeiro entre os Kamakura
os chamados Cinco Grandes Templos Zen (a Kamakura Gozan) e é o mais
antigo mosteiro de treinamento Zen no Japão. Estes templos eram parte
do Sistema Cinco Montanhas, criado pelo Regente Hojo.
Este importante templo foi construído a mando do Imperador Gofukakusa
e concluído em 1253, quinto ano da era Kencho, a partir do qual leva o
seu nome (Kencho-Ji). Foi fundado por Rankei Doryu, um mestre Zen
chines que se mudou para o Japão em 1246, ficando alguns anos em
Kyushu e Kyoto antes de vir para Kamakura.

O Regente de Kamakura Hojo Tokiyori foi o principal patrono do templo
durante os primeiros anos. O patrocínio era espiritual (ele estava próximo de se tornar um mestre zen), bem como político: a Kamakura Gozan, organização da qual este templo foi a cabeça, teve um papel importante na organização do shogunato. O sistema, para o qual a Ashikaga acrescentado uma série de cinco templos em Kyoto chamada de Quioto Gozan, foi adotado para promover o Zen no Japão no entanto, tal como já tinha acontecido na China, ele foi logo controlado e usado por classes dirigentes do país para
seus próprios fins administrativos e políticos.
O sistema Gozan permitiu que os templos em cima funcionassem como
ministérios, utilizando a sua rede a nível nacional de templos para a distribuição de governo leis e normas, e para o monitorização das condições locais dos seus superiores militares. Hojo o primeiro, e mais tarde o Ashikaga, tiveram a possibilidade de disfarçar o seu poder sob uma máscara religiosa, padres e monges, enquanto os monges e os sacerdotes trabalharam para o governo como tradutores, diplomatas e conselheiros.
No patronato dos seus mestres, o Kencho-ji e os Cinco templos da Montanha gradualmente tornaram-se centros de aprendizagem e desenvolveu uma característica literária chamada de ‘literatura japonesa das Cinco Montanhas’.
Durante a idade média japonesa, os seus estudiosos exerceram uma grande influência sobre os assuntos de política interna do país. O sistema Gozan finalmente declinou com a dissolução do shogunato Ashikaga e o que ela patrocinava. Kencho-ji renasceu no século 19 sob a orientação do mestre zen Aozora Kando.

A próxima missão era visitar o grande buda de Kamakura, porque deixar de ir nesse templo, era como se um turista fosse ao Rio de Janeiro e não conhecesse o Cristo Redentor. Quando chegamos já era possível avistar do portal o rosto da estátua do Buda. À primeira vista, impressiona.

Olha ele lá!

Olha ele lá!

Nós e o Buda...

Nós e o Buda...

O Buda e nós...

O Buda e nós...

Meio que, de perfil...

Meio que, de perfil...

Incensário em frente...

Incensário em frente...

Frontal

Frontal

Foo dog na entrada, claro.

Foo dog na entrada, claro.

O Grande Buda (Daibutsu) feito em bronze no ano de 1252, é realmente uma das atrações mais famosas em Kamakura. O Buda Amida tem de altura de 13,5 m e já enfrentou maremotos, incêndios e tufões. Suas proporções distorcidas fazem com que pareça estar em equilíbrio, talvez uma influência da perspectiva grega (via rota da seda). A estátua é oca, possibilitando que os visitantes entrem nela e vejam como foram feitas as emendas de bronze e forjas internas da cabeça da estátua.
Êxtase coletivo e histeria total à parte, tiramos belas fotos mesmo com a bateria da câmera pedindo arrego. Novo destino, o coração chinês em pleno centro de Honshu: China Town. Uma pena as baterias das 3 câmeras terem ido às favas, não permitindo que nossa visita fosse fotografada, mas ainda assim a experiência (com seus momentos desagradáveis*) ficou gravada.

Um dos Portais de entrada de ChinaTown

Um dos Portais de entrada de ChinaTown

*Depois de conhecer uma loja Indiana, cheia de estátuas, incensos, colares e anéis, roupas bem ao estilo Hindu, jantamos num típico restaurante chinês. Durante todo o tempo em que permanecemos no lugar (éramos os 4 com mais outros 2 casais em mesas separadas), ficamos cercados por 3 inconvenientes atendentes, sendo que as filhas da puta insistiam em nos olhar durante todo o jantar e fazer comentários paralelos em chinês, como se estivessem descaradamente nos reparando de cima a baixo e criticando. Escrotidão sem medida.
As meninas não nos atendiam bem e nem nos entendiam bem. Não entendiam picas de inglês e com a esposa do meu amigo também não falavam direito em japonês!
Atendimento péssimo, louça suja, constrangimento e sentimento de intimidação demasiadamente desagradável marcaram presença e deixam-nos a sensação de “em China Town não volto nunca mais”…

Todo o lugar do mundo tem seu cancêr, suas chagas, achei a do Japão não por culpa dos próprios japoneses (que infortúnio), mas por culpa de certos indivíduos de um outro povo que se estabeleceu ali, manchando toda a boa reputação do lugar no quesito má-educação e desrespeito ao turista. Bela merda. Uma pena…
Loucos pra ir embora de China Town e voltar pro hotel, nós partimos. Eu e Ricardo fomos dar um rolé pelas redondezas de Ueno pra tentar achar algo de interessante nas lojas e souvenirs pros amigos brasileiros, mas já eram mais de 20:30h, hora ingrata, quase todas as lojas estavam fechadas. Shion, sem sombra de dúvida nossa maior ajuda local, planejava no hotel o roteiro de Nikko, os templos que visitaríamos, horários de trem-bala, previsão meteorológica e etc. Não fosse nossa amiga japonesa não teríamos conseguido ver metade das atrações previstas no roteiro!
Estava ótimo pra ir treinando. Assim, quando terminasse o tempo em ficaríamos juntos do Rico e dela (os 10 primeiros dias) conseguiríamos nos virar bem nos outros 12 dias restantes.